04/06/2016

O Elefante na Sala de Aula

Está um elefante na sala de aula, e ninguém parece reparar. Ou melhor, não dá jeito. É preferível ignorar e esperar que mais ninguém repare. Como se um elefante fosse um animal sobejamente conhecido por passar despercebido.

Na guerra às escolas privadas, mais um golpe foi desferido. Desta feita o ataque foi perpetrado por via dos Contratos de Associação.
Para os mais distraídos, houve um golpe anterior a esse. A eliminação dos exames nacionais.

Antes de continuar, convém deixar bem claro do que se está aqui a falar. Um Contrato de Associação permite que uma instituição privada preste um serviço público. Ou seja, em lugar de os alunos serem colocados pelo Estado numa escola pública, são colocados, também pelo Estado, numa escola privada que presta o serviço público que o Estado não está em condições de prestar de forma adequada.
Contratos de associação. O que são e porque dão tanta polémica?

Comecemos então pelo início.

Fizeram asneira atrás de asneira no ensino em Portugal. Não é novidade.
No entanto, as políticas que mais gravosamente contribuíram para o descalabro da qualidade do ensino em Portugal ocorreram durante os governos de Sócrates. A política de facilitar o sucesso escolar, embora produza resultados brilhantes em termos estatísticos, em termos de aquisição de conhecimentos e competências só promove o desleixo.
O correcto deveria ter sido aumentar o nível de exigência, e promover políticas de educação que permitissem aos alunos cumprir facilmente com critérios de maior rigor e exigência. Mas isso é política séria. E para políticas sérias seriam necessários políticos sérios.

Assim, é natural que os alunos de hoje tenham menos conhecimentos e menos competências que os alunos de outrora com médias de avaliação equivalentes. Actualmente, por exemplo, os jovens escrevem pior... mesmo com a ajuda de correctores ortográficos que não existiam no tempo dos seus progenitores.

Abre-se aqui um parêntesis para relembrar mais uma política de facilitar: Acordo Ortográfico.
Escreve-se como se fala... Enfim. Sem comentários. Só mesmo para idiotas. Completos idiotas.

A redução do nível de exigência produziu um efeito negativo adicional. A formação privada, com critérios de exigência mais elevados, e com práticas educativas adequadas ao nível de exigência, consegue produzir melhores resultados que a escola pública.
Isto significa que, quando comparados por via de critérios idênticos, os alunos das escolas privadas saem normalmente melhor classificados que os alunos das escolas públicas.

Os políticos de fachada, que destruíram o sistema educativo, ficaram com um problema em mãos.
Como evitar que os eleitores percebam que a escola pública vai de mal a pior?

É simples: basta evitar que os alunos sejam avaliados por critérios idênticos.

E assim, nasceu o ataque aos exames nacionais.
Tudo o que possa ser usado como meio de comparação cabal entre ensino público e privado tem de desaparecer.

Agora é o ataque por via dos Contratos de Associação.

E o elefante está na sala.

Curiosamente, o ponto mais importante — o elefante — é omitido por todos.
O assunto que efectivamente é relevante — aliás, o único que deveria estar em cima da mesa — é simplesmente ignorado.

Fala-se do que é irrelevante. Mas não se fala do que é relevante.

Irrelevante...

Custo. Discute-se a diferença do custo. Se o custo de formar um aluno é superior numa escola pública, ou numa escola privada via Contrato de Associação. Há quem afirme — com contas feitas — que o custo de formar um aluno numa escola pública é superior ao de o formar numa escola privada. Ou seja, que sai mais barato aos contribuintes colocar os alunos em escolas privadas por via dos Contratos de Associação.
Mas, como este é um dos pontos irrelevantes que anda a ser discutido, vamos aqui assumir que sai mais caro aos contribuintes formar alunos em escolas privadas por via dos contratos de associação. Ou seja, não importa que seja mais caro, porque a parte relevante mantém-se pertinente.

Relevante...

Qualidade. O que é relevante, e que ninguém se atreve a discutir, é que a escola privada é melhor que a pública. Nem há qualquer dúvida. Poderíamos olhar para uns quantos estudos sobre o assunto, mas não é necessário. Tanto de um lado como do outro, parece óbvio que todos reconhecem que a formação privada é melhor que a pública. Vejamos.
De um lado, estão a lutar para manter os filhos nas escolas privadas, sinal claro de que acreditam que a escola privada cumpre melhor que a escola pública.
Do outro lado, acusam os outros de quererem ter os filhos com educação privilegiada às custas dos contribuintes, o que é uma admissão velada de que a escola privada cumpre melhor que a pública.

Resumindo os factos:

  • Relevante:
    A escola privada forma melhor que a escola pública.
  • Irrelevante:
    Os custos com os Contratos de Associação podem ser superiores (ou não).


O elefante...

Chegámos assim ao elefante sobre o qual ninguém fala.

Ora, em termos de criação de um futuro melhor, o objectivo de um Governo, de uma Política, de um Estado, até de uma Ideologia, não deveria ser a excelência da educação?

Não se deveria almejar uma melhor qualidade da formação e, consequentemente, formar jovens com mais e melhores conhecimentos, maior e melhor competência, e assim mais aptos para contribuir no progresso do país?

Porque raio, então, é que estão mais preocupados com ideologias bacocas, com diferenças de custos tão irrisórias que ninguém sabe para que lado pendem, com a manutenção do corporativismo sindical, e outras tantas ideias próprias de acéfalos, quando deveriam era estar exclusivamente preocupados em garantir a melhoria contínua da excelência educativa?

Portanto, prejudica-se ainda mais os pobres.
Os que podem pagar por formação privada, ficam melhor preparados.
Os que não podem... já estão habituados. Não é verdade?

Ricos com melhores oportunidades.
Pobres... como sempre.

Ou seja, admitindo que efectivamente as contas do Tribunal de Contas estão correctas (que entraram em linha de conta com todos os custos), por uns meros 107€ por aluno (ver link colocado acima), retira-se aos alunos de menores posses a possibilidade de receber uma formação mais adequada.
Parabéns!

Bela porcaria que têm andado a fazer com a educação.
Bela porcaria que continuam a fazer.
Bela porcaria que vão continuar a fazer.

Trabalhem, seus políticos acéfalos de treta!

Esforcem-se para melhorar a escola pública!
Mostrem que efectivamente o estão a fazer: realizem exames nacionais!

Não tenham vergonha de serem avaliados politicamente.
Acabem com a política das estatísticas.
Implementem política de exigência e de excelência.

Trabalhem, suas sanguessugas do Estado!
No que vocês e os resultados da vossa incompetência custam aos contribuintes, é que não encontram maneira de poupar.
Cambada de folgados.

Ide trabalhar!

Actualização a 4/6/2016:
Os exames nacionais acabaram, mas os privados querem continuar a fazê-los
Se dúvidas havia sobre a razão pela qual o ensino privado é melhor que o público, o artigo acima deixa uma dica. No privado procura-se a excelência, no público promove-se a ignorância. Quanto mais ignorantes forem os futuros eleitores, mais hipóteses têm os políticos de treta de vencer as eleições.

12/10/2015

Expliquem-me...

Eu já suspeitava, mas agora tenho a certeza.

Tenho agora a prova de que 98,61% dos eleitores são contra as pessoas, contra os animais, e contra a natureza.

Afinal, segundo alguns idiotas (gente com ideias, leia-se), se apenas 1,39% votaram no PAN, isto faz com que os restantes 98,61% sejam contra o que o PAN defende.

Segundo esta gente, cujo QI está claramente abaixo do QI do Homer Simpson, mas um pouco acima do QI de um cavalo (senão defecavam pelas ruas),  cerca de 61% dos eleitores votaram contra a PàF (PSD+CDS).

O problema é que, para além do baixo QI, têm também um problema de atenção. Afinal, não repararam que mais de 67% votaram contra o PS, mais de 89% votaram contra o BE, e mais de 91% votaram contra a CDU (PCP+PEV).

Agora, expliquem-me como se eu fosse muito estúpido (mais que um cavalo, mas com fraldas para disfarçar):
Como é que numa votação de votos positivos, se conseguem inferir votos negativos?
Façam de conta que eu não percebo nada de Matemática, nem de Lógica, nem nenhuma dessas coisas que claramente vocês não percebem, e tentem explicar-me isto em linguagem que vos seja acessível. Sim, mesmo que seja de baixo nível.

Respondam com um exemplo, se vos for mais simples.
Tipo isto:
Têm 20 filhos.
Pedem-vos para eleger aquele do qual gostam mais.
Votam positivamente num deles.
E os outros inferem que são odiados, porque ao terem votado positivamente num, automaticamente votaram contra os restantes 19. Que, obviamente, foram deserdados e postos fora de casa...

Quanto aos eleitores, que votaram positivamente num partido, e que estão a ver o iminente entendimento com uma força política contra a qual eventualmente votariam (mas não votaram), paciência.
É que os partidos já garantiram a subvenção do vosso voto, e que sai dos nossos impostos, por isso já se estão a cagar (olha... se calhar até são mais estúpidos que um cavalo) para o que vocês querem.
Neste momento estão mais preocupados em ter tacho, porque a subvenção que já está garantida vai para o partido (no caso do PS apenas transita pelo partido até chegar aos credores). Sendo que o Costa ainda tem outro problema, para além da falta de tacho... a falta de continuidade à frente do PS.

Mas não desesperem, daqui a 6 meses teremos outras eleições legislativas.
Yupiiiiii!!!

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Nota aos partidários do PAN:
Não desesperem, ninguém votou contra vocês. Acontece apenas que, há aí uma cambada de idiotas que não têm QI suficiente para compreender que não é possível inferir votos negativos partindo de uma recolha de votos positivos. E espero que daqui a 6 meses já tenham mais um deputado (e agradeçam ao PASOK.PT).

Segundo a Constituição...

Parece que anda tudo a dormir...
Diz a Constituição da República Portuguesa:
Artigo 187º
(Formação)
1. O Primeiro-Ministro é nomeado pelo Presidente da República, ouvidos os partidos representados na Assembleia da República e tendo em conta os resultados eleitorais.
Sublinho:
tendo em conta os resultados eleitorais
A Constituição não diz "tendo em conta coligações pós-eleitorais", nem "tendo em conta entendimentos pós-eleitorais".
Ao Presidente, cabe apenas convidar para Primeiro-Ministro aquele cujo vencedor das eleições indicar.
E aqui não interessa estar a discutir se é o que tem mais votos, ou mais deputados, porque a PàF (ou mesmo apenas o PSD) tem mais votos e mais deputados que qualquer outra das forças políticas que se apresentou a eleições. Esta poderá ser outra questão noutras eleições, não nesta.
Caso a solução seja algo diferente desta, não estaremos no capítulo ponto 1. do Artigo 187º, mas sim no capítulo de um Governo de Iniciativa Presidencial.

Quanto ao PS, arrisca-se a ser a versão portuguesa do PASOK.
Qualquer pessoa mais atenta percebe que a maioria do eleitorado do PS é também do PSD. São eleitores que ora votam num, ora votam noutro. Isto significa que a maioria do eleitorado PS está mais próximo da direita do que da esquerda.
Assim sendo, com a aproximação do PS à esquerda, este eleitorado abandonará o PS a favor do PSD. Continuando nesta aproximação à esquerda, o PS arrisca dar maioria absoluta ao PSD daqui a 6 meses. Ao mesmo tempo será reduzido à terceira, ou mesmo quarta força política, uma vez que os eleitores PS de esquerda por voto útil irão passar para o BE.

Quem mais ganha com a aproximação do PS à esquerda é o PSD.
O segundo maior beneficiado será o BE, com o fim do voto útil no PS, e PCP também.
O CDS também irá beneficiar da ausência da necessidade do voto útil no PSD.

E o PS será o único prejudicado.
Mesmo sem contar com a possibilidade do impacto das divisões internas que já são públicas, o PS deverá ficar reduzido a muito menos de 20% dos votos numas eventuais eleições legislativas em 2016.

Um governo PS aliado à esquerda, ou simplesmente uma força de bloqueio de um governo da direita, não será muito negativo para o país. Em princípio será apenas um incómodo de 6 meses. Mas será certamente muito negativo para o PS.

12/09/2012

Santa incompetência

E eu a pensar que os políticos portugueses eram dos mais ignorantes e incompetentes...
Afinal, das duas uma, ou a incompetência e ignorância são contagiosas, ou lá fora os políticos apenas parecem um pouco menos ignorantes e mais competentes porque mandaram a escória para o FMI, FEEF, e BCE.

Então não é que a Troika acha que reduzir a TSU das empresas, aumentando a dos trabalhadores, permite diminuir o desemprego, melhorar as exportações, e aumentar o PIB?

Governo espera que corte da TSU crie 50 mil empregos
Corte de 7% nos salários rende 1% no emprego

Ora, segundo eles:
«(...) o Governo e a troika realizaram um novo estudo sobre a medida de redução da Taxa Social Única (TSU) exigida às empresas, com uma subida da contribuição dos trabalhadores como compensação. Desse estudo, saiu a conclusão de que, em dois anos, por causa da medida, o emprego irá crescer 1%, o PIB 0,5%, e as exportações entre 1% e 2%. (...)»
Sinto-me tentado a concordar.
Efectivamente, daqui a 2 anos o emprego irá crescer 1%, o PIB 0,5%, e as exportações 2%. Ou mais!

O problema é que, até lá, o desemprego irá crescer mais 5%, e o PIB perderá 3%.

É sempre bom saber que há quem perceba menos disto do que nós próprios. Pode meter-nos na merda, mas pelo menos massaja-nos o ego.

Portanto, segundo os idiotas da Troika e do Governo, a redução do poder de compra não gera menor consumo, menor consumo que não gera menos receitas para as empresas, menos receitas não geram falências, e as falências não criam desemprego.

Aponto para um QI médio daquela gente na ordem dos 80 pontos.

21/06/2012

Sacrifícios dos portugueses para pagar à Microsoft

NOTA: Actualizado a 22/6/2012

É sempre bom saber que os aumentos de impostos, os cortes nos subsídios de férias e Natal, as reduções das prestações sociais e pensões, e as eliminações de benefícios fiscais - em suma, os sacrifícios pedidos aos portugueses - estão a ser usados para boas causas, como para pagar licenças de software à Microsoft. Software esse que poderia ser livre de qualquer licença, e assim poupar milhões de Euros.

Sim, milhões. Segundo o Tugaleaks, estamos a fazer 4,8 milhões de Euros de sacrifícios perfeitamente desnecessários.

Governo Português “oferece” 4.8 milhões de euros à Microsoft

Na realidade, estes 4,8 milhões de Euros são uma pequena parcela da realidade, porque dizem respeito apenas ao MAI - Ministério da Administração Interna. Ou seja, se totalizarmos o custo com licenciamento de software Microsoft de todo o Estado Português, teremos um valor certamente capaz de pagar muitas pensões, subsídios, e outras prestações muito mais importantes para aqueles que o Estado deveria servir: os cidadãos.

MAI vai gastar 4,8 milhões de euros a renovar licenças de software
(NOTA: o link acima redirecciona para uma página escrita segundo a Merda Ortográfica de 1990)

Actualização a 22/6/2012:
Afinal estes 4,8 milhões de Euros acrescem a 9 milhões de Euros aprovados há apenas 4 meses. Já são 13,8 milhões de Euros este ano (que ainda só vai a meio) para apenas um único ministério.
MAI terá desperdiçado milhões em programas informáticos
Administração Interna contrata Microsoft por 9 milhões a três anos
ESOP critica contrato entre Governo e Microsoft (escrito segundo a Merda Ortográfica de 1990)

Fica assim provado que o actual Governo não é muito diferente do anterior, no que concerne a esbanjar dinheiro com a Microsoft.

Relembro que os anteriores Governos de Sócrates "mimaram" a Microsoft com uns extras. Ou seja, para além de esbanjarem dinheiro em licenças de software Microsoft, tal como o actual Governo, ainda deram uns valentes "bónus" à Microsoft.
Exemplos:

  • Magalhães
  • Cartão do Cidadão


Existem inúmeras alternativas ao software Microsoft, a custo zero de licenciamento, e com vantagens adicionais, como:

  • menores requisitos de hardware (redução adicional de custos com hardware)
  • maior segurança (redução adicional de custos com anti-vírus)
  • maior produtividade (ver notícias: Centros de Saúde; Justiça)


Exemplos de alternativas:

Algumas das alternativas ao Windows:


Algumas das alternativas ao Office:


Outras alternativas:

24/05/2012

Site do PSD Lisboa atacado... outra vez!




O importante, a salientar aqui, não é propriamente o ataque, nem a piada das imagens.
É isto:
Contactado pelo SOL, o presidente do PSD Lisboa, Miguel Pinto Luz, referiu que, em seis meses, esta é a oitava vez que o site é atacado por hackers. «Isto é vandalismo puro e duro», comentou o dirigente social-democrata. «Vamos investir num melhor sistema de segurança informático, mas isso agora não é prioritário», admitiu.

Ora, começamos logo pelo facto de a segurança do site ser uma autêntica peneira. Ou seja, estamos a falar de alguém que entrega um projecto de um site a alguém que é um "curioso da informática" (por oposição a entregar a alguém que é um profissional competente). E como sabemos se é um "curioso da informática"? É fácil de identificar, basta que que no discurso inclua um ou mais dos seguintes termos:

  • Microsoft
  • .NET
  • PHP
  • Wordpress
  • PHPbb
  • Alojamento partilhado
  • etc.

Se isto estiver a ser lido por um profissional da informática, neste momento estará a bradar: "Este gajo, ao dizer isto, é que está a demonstrar que não percebe nada de informática.". A esses, eu explico:
É possível fazer sistemas seguros com as tecnologias acima descritas?
Sim, é.
O problema é que:

  1. Quem sabe usar a tecnologia acima descrita para fazer sistemas seguros, dificilmente a recomendará, porque também deverá conhecer outras tecnologias mais apropriadas.
  2. Quem não tem a capacidade de fazer sistemas seguros, normalmente recomenda a "única" tecnologia que "domina" (pensa que domina), e que normalmente é uma das acima descritas.

Para os profissionais seniores, aquelas tecnologias são o equivalente (na actualidade) ao CLIPPER do século passado, se é que me faço entender.

Depois, terminamos com a idiota conclusão de que a segurança não é prioritária... "Brilhante"!!!

E é isto (os actuais e os anteriores) que temos no Governo... Mas que capacidade têm estes imbecis de governar um país? É o caso das escutas ao PR. É o caso das secretas. É o Cartão do Cidadão que é outra ameaça à segurança. São outros casos aos pontapés. Mas também não é de espantar, se nem um mísero site de treta sabem proteger...

Outro exemplo da incompetência:
Como é que colocam nas secretas alguém assim tão estúpido (informaticamente falando), que nem sabe usar um computador de forma segura (de modo a que informação confidencial não possa ser lida por terceiros). Santa incompetência...

Somos governados por uma cambada de incompetentes (no mínimo). Sem contar com os corruptos e criminosos que esbanjam o erário em contratos que apenas favorecem os amigos, e que não tem qualquer valor para o país (isto sem falar dos casos que até são prejudiciais).

Actualização 24.05.2012 18:42:
A incompetência é ainda maior do que a inicialmente prevista...
Site do PSD-Lisboa atacado mais uma vez
Ao início da tarde, quem acedesse ao endereço psdlisboa.net encontrava a mensagem "Chega de corrupção! Falo por todos nós, portugueses", mas algum tempo depois a página principal da distrital social-democrata já apresentava outra aparência, com um alerta: "Este site encontra-se vulneravel a SQLInjection, tive o prazer de tirar o deface do estupido que fez. A pagina vulneravel do vosso site foi marcada".
Ou seja, até lhes foi explicado e indicado um (porque pode haver outros) problema há cerca de 5 meses... mas nem assim.
Enfim...

Actualização 24.05.2012 19:10:
Agrava-se a mostra de incompetência a cada minuto que passa...
Site do PSD invadido por imagens de teor sexual
“Já não é a primeira vez que isto acontece, portanto só temos de banalizar. Como estrutura partidária estamos sujeitos a estes ataques. Vamos estudar soluções de segurança que estejam dentro das nossas possibilidades, mas ter a página blindada implicaria um grande investimento e essa não é a nossa prioridade”, afirmou à Lusa o presidente do PSD de Lisboa, Miguel Pinto Luz.
Soluções de segurança?! Soluções de segurança?! Soluções de segurança?! Soluções de segurança?! Grande investimento?! É assim que a incompetência se traduz em largos milhões de euros do nosso erário gastos em "investimentos" completamente desnecessários. Se realmente tivéssemos políticos informados, e se realmente dessem ouvidos a peritos, em lugar de darem ouvidos aos "amigos" a quem gostam de entregar milhões para nada, saberiam que aqui não há necessidade nenhuma de grandes investimentos. A segurança não é uma "feature" que se adiciona a um produto de software. A segurança é parte integrante do desenvolvimento do software. É certo que se pode esbanjar dinheiro em soluções de firewalls com IDS/IPS que bloqueiem tentativas de SQL Injection, mas são remendos. Apenas remendos. A segurança implementa-se de raiz. O que é necessário é que o desenvolvimento das aplicações seja entregue a gente competente (que pelos vistos não foi), e que a segurança esteja presente desde a fase de inception do projecto até à implantação e manutenção. Entreguem os projectos a profissionais competentes, e verão que os remendos, a que chamam de "investimento", são perfeitamente desnecessários.

16/09/2011

Ainda a "Presidenta"...

Para quem continua com dúvidas:

http://ciberduvidas.pt/pergunta.php?id=29892
«(...) Diversos dicionários, efectivamente, registavam o termo presidenta já há muitas décadas. No entanto, esse termo era de uso restrito, normalmente reservado ao registo popular ou utilizado ironicamente.
Um modismo é um modo de falar admitido pelo uso de uma língua, mas frequentemente contrário às regras gramaticais da mesma língua. O modismo muitas vezes tem um carácter passageiro, efémero.
Ora, como é do conhecimento geral, embora dicionarizada, a palavra presidenta não era vulgarmente usada nem em Portugal nem no Brasil: não pertence ao português-padrão, conforme tentei mostrar noutra resposta. No entanto, recentemente, algumas pessoas quiseram guindá-la a esse registo e começaram a utilizar normalmente a palavra.
É por isso que ela é considerada um modismo: está na moda, para os que querem seguir essa moda, dizer «a presidenta». (...)»

http://ciberduvidas.pt/pergunta.php?id=15437
«(...) Quanto ao termo presidente, aí estou plenamente de acordo com a nossa consulente. Deverá dizer-se «a presidente». As palavras terminadas em -ente são comuns de dois. Exemplos: «a agente», «a combatente», «a concorrente», «a confidente», «a consulente», «a crente», «a delinquente», «a descendente», «a indigente», «a paciente», «a presidente», «a recorrente», «a regente», «a requerente», «a servente», «a sobrevivente», «a vidente», etc. Tal característica decorre do facto de estas palavras serem na generalidade provenientes do particípio presente dos verbos latinos, com o significado primitivo de «aquele ou aquela que age, que combate, que concorre, que consulta, que preside, etc». A terminação da palavra tem que ver com a duração da acção, e não com quem a pratica (masculino ou feminino), que vem identificado apenas no artigo. 
O facto de começar a haver dicionários que registam a palavra presidente alterando a terminação de -e em -a para diferenciar a forma do feminino apenas significa que esses dicionários resolveram registar um modismo, uma ocorrência sem suporte linguístico na morfologia actual. 
Para terminar, não posso deixar de considerar estranho querer-se reduzir a variedade da terminação da designação do feminino que existe na língua portuguesa (em -a, como «a menina»; em -o como «a piloto»; em -e como «a estudante»; em consoante, como «a juiz» ou «a repórter») à simples terminação em -a. Atrevo-me a dizer que tal preocupação por parte das mulheres até me  soa a ridículo. Que diríamos se os homens agora reivindicassem para si a designação de «o "maquinisto"» («o maquinista»), «o "astronauto"» («o astronauta»), «o "jornalisto"» («o jornalista»), «o "juízo"» («o juiz») ou «o "presidento"» («o presidente»)?… (...)»

http://ciberduvidas.pt/idioma.php?rid=2335
«(...) A propósito da eleição de uma mulher para a presidência da Assembleia da República, em Portugal — e depois do que já ocorrera com a eleição de outra mulher para a chefia do Estado brasileiro —, volta a surgir a dúvida: «a presidente», ou «a presidenta»?
A forma recomendada é «a presidente» (do latim praesidens, praesidentis).
Na análise desta questão há três aspectos a considerar: o porquê da existência da forma «a presidente»; os argumentos a favor da tentativa de criação da forma «presidenta»; a ausência de suporte gramatical que justifique a formação desta palavra.
1. Em primeiro lugar, deverá referir-se que os substantivos terminados em -nte são comuns de dois, isto é, têm só uma forma para o masculino e para o feminino, fazendo-se a distinção entre um género e o outro apenas pelo artigo. São muitos os exemplos deste tipo de substantivo: «o/a adolescente», «o/a agente», «o/a amante», «o/a arguente», «o/a assistente», «o/a cliente», «o/a combatente», «o/a comerciante», «o/a confidente», «o/a concorrente», «o/a consulente», «o/a correspondente», «o/a crente», «o/a delinquente», «o/a descendente», «o/a doente», «o/a emigrante», «o/a indigente», «o/a ouvinte», «o/a paciente», «o/a presidente», «o/a regente», «o/a representante», «o/a requerente», «o/a sobrevivente», «o/a suplente», «o/a tenente», «o/a traficante», «o/a viajante», etc. Exceptua-se «a parturiente» que, por razões óbvias, tem apenas feminino.
Estas palavras são provenientes do particípio presente dos verbos (ainda em latim ou já em português), com o significado primitivo de «aquele ou aquela» que age, que combate, que concorre, que consulta, que preside, etc. A terminação da palavra tem que ver com a acção, e não com quem a pratica (masculino ou feminino), que vem identificado apenas no artigo.
2. Há, no entanto, dicionários, e mesmo gramáticas, que registam a palavra presidenta.
No que diz respeito aos dicionários, tal significa que resolveram registar um modismo ou um termo de registo coloquial ou popular: estão no seu direito.
Quanto às gramáticas, estas referem o facto de ser um termo de curso restrito no idioma ou de ser utilizado popularmente, de não ter lugar na norma culta.
De referir, a título de curiosidade, que há quem cite o Grande Dicionário da Língua Portuguesa, de Morais, que refere a forma «presidenta». Ora, é interessante observar as duas abonações aí registadas: numa, o termo é utilizado ironicamente, na outra, o autor considera incorrecto o seu uso. Vejamos: de Castilho, «Mais gratidão lhe devo, imortal presidenta» (Sabichonas, III, 2); de Mário Barreto, «Dissentimos a que uma senhora se lhe chame presidenta (…)» (Factos da Língua, cap. 16, 203).
Claro que se poderá argumentar com o facto de a língua ser dinâmica, mas tal argumento, por si só, tem alguma fragilidade, pois a evolução da língua pauta-se por normas. Se, gradualmente, uma comunidade de falantes começa a adoptar um termo e lhe confere legitimidade até o guindar à norma culta, trata-se de um processo natural, e não há nada a obstar, mas não deverá passar a considerar-se correcto um termo ou uma construção apenas porque alguém com poder social ou político lhe tenta conferir essa qualidade, seja porque, realmente, considere o termo correcto, seja porque tem uma outra intenção, de natureza não linguística, na defesa ou na exigência do seu uso.
3. Importa compreender que a criação da palavra «presidenta» assenta na visão simplista de quem associa a terminação «a» ao feminino.
Ora, por um lado há diversas palavras que terminam em «a» e designam pessoas do sexo masculino (exemplos: o papa, o monarca, o patriarca, o astronauta, o autarca, o pirata, o profeta, o poeta, o guarda, o colega, o camarada, o indígena, o artista, o jornalista, o ciclista, o pianista…), por outro, o morfema feminino «a» tem como correspondente o morfema masculino «o», e não a terminação «e».
No caso das palavras finalizadas em -nte, esta terminação não é característica do masculino: é uma terminação que designa seres tanto masculinos como femininos e que até surge em palavras que são gramaticalmente femininas (por exemplo, a gente, a serpente).
Assim, não há nenhuma regra que permita considerar que as palavras terminadas em «e» são masculinas e que o seu feminino se forma passando esse «e» a «a».
Aliás, uma das riquezas da língua portuguesa é a da diversidade na marcação do género em substantivos que designam pessoas: há substantivos com o género marcado, que são os biformes (exemplos: «o menino», «a menina»; «o barão», «a baronesa»), e há os substantivos que não têm marcação de género, os uniformes, que tanto podem ter um artigo que indica o género (exemplos: «o/a repórter»; «o/a dentista») como podem ter um artigo fixo, sendo apenas o contexto que nos fornece informação sobre o facto de se tratar de um indivíduo do sexo feminino ou do masculino (exemplos: «a pessoa», «a criança», «a testemunha», «o cônjuge»).
Não queria deixar de referir dois vocábulos que têm a terminação -nta e que costumam ser dados como exemplo na argumentação a favor da criação da forma «presidenta»: infanta e governanta. São duas palavras que considero não terem validade como exemplos neste contexto.
A palavra infanta é, efectivamente, uma forma feminina correspondente ao masculino infante, mas é um vocábulo que, em rigor, não foi formado da palavra portuguesa infante. A palavra infante é proveniente do latim infans,infantis, que significava «aquele que não fala», «aquele que tem pouca idade», «criança», passando, em português, também a designar «filho do rei, irmão do príncipe herdeiro», «irmão do rei». A palavra entra no português como substantivo comum de dois («o/a infante») e assim é utilizada até aos clássicos, nas acepções acima referidas. Entretanto, por influência do francês (língua na qual o termo tinha forma masculina e feminina: un infant, une infante), começa a utilizar-se o termo infanta, mas apenas na acepção de «filha de rei ou de rainha, não herdeira da coroa», e não nas outras acepções. O termo infanta não é, pois, formado do pretenso «masculino» infante, mas provém do francês. Nenhum dos outros vocábulos terminados em -nte provenientes do latim e contemporâneos da palavra  infanta assumiu a terminação desta.
Quanto ao termo a governanta, não se trata do feminino de o governante, mas, sim, de uma palavra que derivou desta, assumindo um significado diferente. Assim, existe «o governante» e «a governante» e, por outro lado, «a governanta», correspondente feminino de «o mordomo».
De referir que as outras palavras terminadas em -nta são normalmente de registo popular, pelo tal motivo de as pessoas, de uma forma simples, associarem a terminação «a» ao feminino (exemplo: parenta).
Assim, seguindo a regra da morfologia no que diz respeito aos substantivos comuns de dois terminados em -nte (são uniformes), deveremos dizer «a presidente», «a senhora presidente». (...)»

http://ciberduvidas.pt/idioma.php?rid=2277
«(...)

Sobre o uso da forma presidenta no Brasil e em Portugal

Vários*

Seguem três pareceres sobre o emprego de presidenta como feminino depresidente. Vêm eles a propósito da eleição da primeira mulher para a Presidência da República do Brasil — e a primeira, também, em qualquer país de língua portuguesa — que, por sua explícita vontade, se intitula, desde 1 de janeiro de 2011, «a presidenta de todos os brasileiros». E é como tal  —presidenta — que se regista no portal do Governo brasileiro. Uma questão decorrente da profunda alteração de comportamentos e estatutos sociais, verificada desde princípios do século XX, com as mulheres  assumindo funções e cargos políticos, administrativos e profissionais exercidos até então apenas pelos homens.
No Ciberdúvidas, há várias respostas anteriores, nem sempre convergentes, que abordam os problemas causados pela necessidade de formar a palavra do gênero feminino correspondente a substantivos que designam certos cargos e ocupações como juizbombeiro, chanceler — e o caso em apreço, o depresidente. Esta discussão acaba por abranger ainda outros substantivos que oscilam do mesmo modo, entre a uniformidade para os dois gêneros e a disponibilidade de uma forma de feminino morfologicamente distinta do masculino (por exemplo, elefanteelefanta).
Aos consultores que acederam a participar nesta discussão, os nossos agradecimentos.

1. Sobre o uso de presidenta no Brasil (Amílcar Caffé, Brasil)
A discussão é resultado da eleição de Dilma Roussef para a presidência do Brasil. A eleita decidiu para flexão para o feminino — mais uma reafirmação da questão do gênero no resultado da votação.
A partir daí, houve uma divisão. Os documentos oficiais brasileiros passaram a tratar Dilma como a «presidenta do Brasil». Mas alguns meios de comunicação optaram por chamá-la de presidente.
Os dois principais dicionários brasileiros — o de Aurélio Buarque de Holanda e o de Antônio Houaiss — e o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, publicado pela Academia Brasileira de Letras (entidade que tem a função de indicar a norma da língua portuguesa para o Brasil), registram a formapresidenta como feminino de presidente.
No entanto, o jornal Folha de S. Paulo afirmou que vai utilizar a formapresidente ao referir-se a Dilma. Em texto publicado no jornal, a consultora de língua portuguesa da Folha, Thaís Nicoleti, afirmou que as duas formas são corretas, «mas a feminina é pouco usada». O colunista desse jornal que trata da língua portuguesa acrescentou que a flexão da palavra no feminino «causa estranheza aos leitores».
A mesma linha segue o jornal O Globo, que sempre utiliza a formapresidente para tratar Dilma Roussef. Na revista Veja, o colunista Lauro Jardim anunciou que vai tratar Dilma como presidente. Já o jornal O Estado de S. Paulo adotou uma postura ambígua, com textos na mesma edição tratando Dilma tanto como presidente quanto como presidenta.
Por trás dessa discussão está uma questão que ultrapassa a linguística. Concordo com Thaís Nicoleti que a forma feminina é pouco utilizada. Acho que é certo o que diz com Pasquale Cipro Neto, a forma presidenta causa estranheza aos leitores — eu prefiro o termo estranhamento, nome de uma figura de retórica que busca marcar pontos numa discussão ao empregar construções ou palavras pouco usuais ou em situações pouco comuns. Não considero que apenas por que Dilma Roussef optou por usar uma forma seja razão suficiente para que tenhamos de usar.
Acredito que esses argumentos não justificam deixar de lado a utilização depresidenta. Primeiro, porque é uma forma que não entra em confronto com as regras gramaticais. Em segundo lugar, porque sou a favor da utilização de formas flexionadas: poetisamestrachefa, sargenta.
Se observarmos, são normalmente substantivos que se referem a posições de relevo — nas quais não estamos habituados a ver uma mulher. A língua tem história e tem ideologia. É formada por influências das regiões e das classes que têm o poder. Se falamos chão em vez de plano, é porque na região e nos estratos sociais dominantes no período em que o português se consolidou a utilização do ch- substituiu o pl-. Mas vivemos numa época em que temos a possibilidade de escolher o caminho da língua. Temos cada vez mais mulheres a assumir posições de relevo e de chefia na sociedade. É natural que a língua possa dar resposta a isso, com a sua flexão de gênero.

2. A questão de presidente/presidenta em Portugal e no Brasil(Margarita Correia, Portugal)
Quanto à questão da presidente/presidenta penso o seguinte:

— Em Portugal, a forma culta e única aceite em discurso formal é presidente— os nomes acabados em -ente são comuns de dois. Existem, porém, formas populares em que se constrói o feminino em -a — estudantasargenta,comercianta. Estas formas têm um cunho pejorativo.

— No Brasil, penso que a situação não será muito diferente. Porém, dado o empenho da Dilma Roussef em se chamar a si própria presidenta (numa atitude de clara afirmação feminista — e, quem sabe?, populista), o termo acabará certamente por entrar nos dicionários sem marca de uso, assumindo ser aceite na norma culta.

3. O feminino das palavras infante, governante e elefante, a propósito da correção de presidenta1 (Maria Regina Rocha, Portugal)
Como ponto prévio, direi que a dúvida apresentada diz respeito a três palavras de natureza diferente, e que estas palavras não terminam em -ente(como presidente), do particípio presente de verbos latinos, mas em -ante.

Analisemos, então, cada uma das palavras e por que motivo elas têm o morfema -a no feminino.

A palavra infante provém do latim infans, infantis, que significava «aquele que não fala», «aquele que tem pouca idade», «criança», passando, em português, também a designar «filho do rei, irmão do príncipe herdeiro», «irmão do rei». Na acepção de «criança», a palavra entra no português como substantivo comum de dois («o ou a infante») e assim é utilizada pelos clássicos. Entretanto, por influência do francês infante, feminino de infant, começa a utilizar-se o termoinfanta, apenas na acepção de «filha de rei ou de rainha, não herdeira da coroa». O termo infanta não é, pois, formado do pretenso «masculino»infante, mas provém do francês.

Quanto à palavra governante, trata-se de um termo oriundo do francês, ainda sentido em meados do século XIX como um «francesismo inadmissível e desnecessário» (Novo Diccionario da Lingua Portugueza, por Eduardo de Faria, 1857). Com o significado de «pessoa que governa», é um substantivo comum de dois («o ou a governante»). A palavra governanta entra posteriormente no português, também proveniente do francês, com o significado de «mulher a quem estava confiada a administração de uma casa» e também vai ser sentida como galicismo, por ocupar o mesmo espaço que aiaamacriada grave. Não é, pois, uma palavra formada do português governante, não tendo, naturalmente, o significado de «mulher que preside ao governo de um país ou dele faz parte».

Finalmente, o substantivo feminino elefanta já está registrado há séculos em dicionários: provém do latim, de um substantivo que assume normalmente as duas formas (o elefante e a elefanta), não sendo formado de nenhum verbo. Há, no entanto, quem utilize apenas uma forma, considerando-o um substantivo epiceno, como é regra geral em grande parte dos nomes de animais.
Em suma, estas palavras terminadas em -e que formam o feminino com a utilização do morfema -a são excepções em relação à regra relativa à formação do feminino dos substantivos ou adjetivos terminados em -ente da mesma família de verbos cujos particípios presentes são reveladores de quem pratica a ação daquele verbo. (...)»

http://ciberduvidas.pt/controversias.php?rid=905
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Presidir, para as mulheres, é função muito recente, milénios depois da época quase mítica do matriarcado. Talvez por isso, é também recente a frequência e premência com que se levanta o problema do feminino da palavra significante do conceito "aquele(a) que preside".
No nível culto da língua, na língua padrão, na língua escrita, em certos registos da língua literária, na linguagem especial (ou na "língua de pau") da administração pública, tomando como referência o particípio presente latino, de acordo, aliás, com a "lei" que rege a formação de tantos substantivos ou adjectivos substantivados provenientes desse particípio, não tenho dúvida de que se escreverá /dirá senhora presidente. Dizer/escrever presidenta, na fala/escrita destes utentes, aparece ainda com conotações irónicas. A sério, diz-se/escreve-se a presidente.
Não admitir estas diferenças é apontar aos falantes embaraços evitáveis. A língua deve funcionar como instrumento de comunicação e não como um fim em si mesmo. O facto de uma expressão ser correcta não a recomenda em todas as circunstâncias.
Tenho, aliás, imensa curiosidade quanto ao que sentirá a dr.ª Edite Estrela, defensora da forma "feminizada", quando um subordinado ou um munícipe a tratar por Senhora Presidenta da Câmara Municipal de Sintra. Lá no íntimo, não pensará a presidente: «Este tipo está a gozar comigo?»
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